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VALORES

Alexandre Zilahi

Todos sabíamos antigamente o que significavam valores.
Podia ser coisa de medo ou falta dele, de grupo social, religião,
escolas, origens, sistemas governamentais, filosofias, moral,
teorias ou nadas dissos, mas ainda se percebia alguma coisa.

Influenciada por essas coisas todas, estava a família.

Não digo as chamadas boas famílias ou coisa assim, mas
a família simplesmente e pronto.

"que a família valha" (que dê refúgio, abrigo)

A família mudou. Não julgo, apenas percebo, mudou.

A grande neura teórica do neoliberalismo, entre outras piores,
é terceirizar.
A função da família, vem sendo terceirizada.
Uns dizem que educar é dever do Estado, outros dizem que é
da família e outros do Estado e da família e ainda
da família primeiramente e depois do Estado, no caso, a Escola.
Alguns tentam se preocupar com os modelos que os filhos estão
adotando. A culpa é da TV, da internet, das leituras, das más
companhias... A culpa é sempre dos outros. Ninguém admite que errou.
Pena, pois o erro é o pai do acerto.
Programas de tv reúnem famílias para debaterem problemas que
são de atribuição da família, os pais ouvem conselhos óbvios,
os filhos clamam por alguma regra, algum limite, enfim,
atenção, proteção companheirismo, colo.
Parece que isso tudo demora demais, estão todos muito ocupados
fazendo outra coisa. Usam o dinheiro para tentar resolver os
problemas que não precisavam estar acontecendo.

Parece que ninguém tem tempo.
Todos dizem ter direito a relaxar um pouco, aproveitar a vida,
curtir uma balada...
Mas fazem filhos. Não existe Faculdade para Pais.

Valido é o indivíduo particularmente protegido.
Vemos novas gerações desvalidas. De várias coisas.
Tentamos não olhar sob a ótica das nossas próprias criações,
mas às vezes, não dá. Sempre parece que não era assim antes.
A comparação é imediata. Acho que não era mesmo. Bem ou mal.
A família se perdeu.

Cuidado com o termo família, que aqui não
uso como argumento fariseu para gente bem comportadinha,
fingindo que não é hipócrita. Não.
Nelson Rodrigues sempre duvidou dessas "famílias".
Estou tentando falar de família, como estrutura mínima para algum bem.

A Escola não vai dar conta de resolver isso, se a família
não atuar, se não se repensar.
Nenhuma mudança real acontece sem a chegada de uma grande crise.
Os sinais estão aí.

Se tínhamos anteriormente, religião e uma porção de "não pode!"
se tínhamos, Educação Moral e cívica, O.S.P.B., Juizado de menores,
ditadura, modelos europeus e outros imperialistas, se a Escola
estadual era rígida e boa, se fazíamos prova para tentar entrar nela,
se a escola particular era pior...
O que temos agora? Era ruim tanta repressão? Claro!
Queríamos sonhar outros tempos? Claro!
Estes então são os novos tempos sonhados?

Toda vez que na história, as civilizações vão chegando a um certo caos
ou coisas assim, vemos as direitas manifestarem seu nervosismo,
com atitudes despóticas e vitorianas. Resolveram alguma coisa? Não!
Tudo bem que tem sido assim mesmo, que é um processo cíclico,
mas repito, bem poderíamos não precisar passar por nada disso.

Acredito na família. Aquela bem simples. Sem hipocrisias.
A Escola poderia incluir no primeiro bimestre de cada ano,
um curso para Pais. Ok, não chamaremos de curso. Algum pai executivo
com salário vistoso vai se ofender e processar. Mas seria útil
um momento para reflexão. Os pais estão perdidos.
Sei que temos Escolas e Escolas. Sei que algumas vão fazer disso
um púlpito para ideologias e tentarão proselitismos vários.
Mas, estaria acontecendo um diálogo. Teria que ser muito laico.
Só precisava acontecer. Ou outro movimento assim.

A Escola poderia usar o mesmo período para ensinar o que é
uma Escola, como é ser aluno, o que fazem um professor e outros
profissionais de ensino.
Sei, sei... as Escolas particulares não querem incomodar
seus clientes, digo, alunos. Eles pagam, portanto mandam.
E as Escolas particulares também mandam...embora quem não goste disso.
As Estaduais não querem reprovar ninguém para que os governos
possam mostrar índices de aprovação e conseguir meios de
bons relacionamentos com Bancos mundiais, sim eu sei.

Os alunos estão sem luz.
Claro? não, escuro.





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