Confiança
Hoje tivemos notícias de nosso amigo João.
João Sebastião, alegre, companheiro, brincador.
Acordou contente, pulou da cama e foi ver o dia fresquinho desse novembro ensolarado.
Dar uma volta pelo quintal, conferir as novidades: qual flores desabrocharam, será que as
romãs já estão maduras ? é sempre divertido ficar olhando os insetos circulando as frutas
que se abrem coloridas...
João aprendeu a confiar nas pessoas, e sempre o trataram com respeito, carinho.
Gostava de ficar por perto quando Iara fazia seus artesanatos delicados, achava divertida
a lida com as embalagens coloridas, fitas, de tudo pariticipava com seu olhar curioso e
novidadeiro.
Se ela estava triste, João logo compreendia e vinha lhe fazer companhia, agradando com
seu jeitinho especial aquela que escolhera como mãe.
Quando Iara trabalhava no computador, ali estava também João, solidário, como que
percebendo a comunicação criativa que por ali passava; e nós, amigos distantes, lhe
enviávamos lembranças e palavras afetivas, que chegavam pelas ondas eletrônicas que nos
aproximavam em tantos momentos.
Assim, vivendo de modo simples e sincero, era um encanto a mais em nossas vidas.
Mas as notícias de hoje não foram boas.
Em seu passeio pelo quintal, João encontrou algo diferente que atraiu sua atenção, o cheiro
era bom, e ele comeu a novidade. Era veneno, e pouco depois ele morreu.
Sim, João Sebastião era um gato muito querido, e atiraram por cima do muro uma comida
envenenada em sua casa.
A cada vez que sabemos que uma atrocidade dessas acontece, a indignação que nos toma
é imensa.
Mas acreditamos que é acendendo mais luzes que a escuridão diminuirá, e por isso seguimos
cuidando dos animais que cruzam nossos caminhos nas cidades, conversando com as crianças
sobre os fatos da vida justa, buscando com os adultos formas de diminuirmos o abandono e
maus-tratos a que gatos, cachorros, cavalos, burros são submetidos a cada dia.
Acreditamos que precisamos urgentemente encontrar o coração das pessoas, para que
possamos ser dignos da confiança que em nós depositam com sinceridade os cachorros,
gatos, cavalos, burros, pássaros... com seus olhos claros, límpidos, íntegros.Esta crônica é dedicada à amiga Vera Vilela.
Clarice Villac
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